Gestão e transferência de conhecimento em treinadores de andebol: um estudo misto
DOI:
https://doi.org/10.47197/retos.v80.119292Palavras-chave:
Gestão do conhecimento, transferência de conhecimento, treino desportivo, conhecimento tácito, prática reflexiva, investigação com métodos mistos, formação de treinadores, tomada de decisãoResumo
Objectivo: Analisar a gestão e a transferência de conhecimento entre treinadores de andebol, identificando as principais fontes de conhecimento, como este é mobilizado na prática e as estratégias de transferência utilizadas com os jogadores.
Metodologia: Foi realizado um estudo transversal descritivo com métodos mistos, envolvendo 36 treinadores (31 homens e 5 mulheres, com idades compreendidas entre os 20 e os 58 anos). Foi aplicado um questionário para avaliar as fontes de conhecimento, e 12 formadores participaram em entrevistas autorreflexivas com gravações das suas sessões de formação. Os dados quantitativos foram analisados utilizando os testes de Kruskal-Wallis e Spearman, enquanto os dados qualitativos foram examinados através de análise temática.
Resultados: A experiência como treinador (M=4,43) e a aprendizagem autodirigida (M=4,12) foram as fontes de conhecimento mais valorizadas. Foram observadas diferenças significativas de acordo com o nível de experiência: os treinadores principiantes basearam-se mais no conhecimento académico e na experiência prévia como jogadores, enquanto os treinadores experientes deram prioridade à experiência profissional. Foram identificados cinco tipos de conhecimento mobilizados na prática (situacional-tático, pedagógico-didático, centrado no jogador, experiencial e tácito), juntamente com estratégias de transferência como a instrução direta, o feedback, o questionamento reflexivo, a modelagem e a criação de rotinas. Os resultados destacam a natureza experiencial e contextual do conhecimento do treinador.
Conclusões: A gestão do conhecimento no andebol integra múltiplas fontes, sendo que a experiência profissional se torna cada vez mais relevante ao longo do tempo. A autorreflexão consolida-se como uma ferramenta fundamental para explicitar o conhecimento tácito e compreender os processos de transferência em contextos reais.
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