O microensino funciona? Uma revisão sistemática sobre a autoeficácia e a flexibilidade cognitiva na formação de professores de Educação Física
DOI:
https://doi.org/10.47197/retos.v77.117801Palavras-chave:
Flexibilidade cognitiva, microensino, autoeficácia, formação de professoresResumo
Enquadramento: O microensino consolidou-se como uma estratégia na formação inicial de professores; contudo, o seu impacto específico na Pedagogia da Educação Física (PEF) e em constructos psicológicos chave ainda não está suficientemente documentado.
Objectivo: Sintetizar a evidência empírica publicada entre 2015 e 2025 sobre os efeitos do microensino na formação inicial de professores de Educação Física, com ênfase na autoeficácia docente e na flexibilidade cognitiva.
Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática seguindo as diretrizes PRISMA 2020. Os artigos foram pesquisados nas bases de dados Scopus, Web of Science, ERIC e SPORTDiscus, sem restrições linguísticas. Foram incluídos estudos que envolviam microensino ou simulação de aulas aplicadas a professores em formação, desde que apresentassem resultados sobre o desempenho pedagógico, autoeficácia, flexibilidade cognitiva ou outros indicadores relacionados. A qualidade metodológica foi avaliada através da escala PEDro.
Resultados: Dos 626 registos identificados, um pequeno número de estudos experimentais e quase experimentais (n = 4–6 com resultados quantitativos) mostraram melhorias consistentes nas competências de ensino, na confiança e na autoeficácia. As evidências sobre a flexibilidade cognitiva foram indiretas, demonstrando adaptabilidade na prática docente, embora sem medidas psicométricas padronizadas. A qualidade metodológica global foi moderada, com randomização limitada e falta de seguimento longitudinal.
Conclusões: O microensino é uma estratégia eficaz e de baixo custo para fortalecer a competência pedagógica e a autoeficácia na formação inicial de professores de educação física. O seu impacto na flexibilidade cognitiva é promissor, mas ainda insuficientemente investigado, o que abre uma área prioritária para futuras pesquisas que integrem medidas padronizadas, desenhos longitudinais e diversos contextos culturais.
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