Formação recebida e atitudes em relação ao doping em estudantes do ensino secundário: entre a rejeição e o vazio educacional
DOI:
https://doi.org/10.47197/retos.v82.118077Palavras-chave:
Ensino secundário, doping, Educação Física, ética no desporto, prevenção educativaResumo
Introdução: Embora o currículo de Educação Física (EF) no ensino básico inclua conteúdos relacionados com o doping, este tema não é abordado no ensino secundário (Bachillerato). Objectivo: O objectivo foi analisar as percepções dos alunos sobre a formação em EF que receberam sobre este tema e examinar como esta percepção se relaciona com as suas atitudes em relação ao uso de substâncias dopantes e o seu interesse em receber formação em ética, considerando também o género dos alunos. Metodologia: Participaram 70 alunos (58,6% do sexo feminino) com idades compreendidas entre os 16 e os 18 anos. Foram utilizados dois instrumentos: a Escala de Atitudes para a Melhoria do Desempenho (PEAS) e um questionário específico para avaliar as perceções educativas sobre o doping. Resultados: Os resultados mostraram uma atitude predominantemente crítica e uma perceção de treino insuficiente. 98,6% dos alunos demonstraram baixa tolerância ao doping. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os alunos do sexo masculino e feminino. Além disso, foram observadas correlações negativas significativas entre uma atitude permissiva em relação ao doping e dois itens do questionário específico: interesse em receber formação em ética e a perceção de ter recebido instrução adequada. Discussão: Estes resultados são consistentes com a literatura anterior e sugerem uma discrepância entre a postura crítica dos alunos em relação ao doping e o limitado impacto educacional percebido nas aulas de Educação Física, reforçando a necessidade de uma educação antidoping mais explícita. Conclusões: Os resultados realçam uma possível lacuna na formação e sugerem o reforço do conteúdo ético e preventivo no currículo de Educação Física.Referências
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